
A aprovação do PL Antifacção por ampla maioria na Câmara — 370 votos a 110 — revelou mais que uma simples derrota legislativa do governo Lula: mostrou um Palácio do Planalto desorganizado, incapaz de articular a própria base e cada vez mais distante do centro político. Enquanto a Câmara avançava no texto, o governo acumulava erros de condução, atrasos e declarações desastradas, expondo uma articulação que claramente não funciona.
O relator Guilherme Derrite apresentou seis versões do parecer até construir consenso entre governadores e líderes do Centrão, mas a articulação governista seguiu perdida. A base tentou adiar votações, tentou resgatar o texto original do Executivo e não conseguiu nada. A ministra Gleisi Hoffmann ainda classificou o processo como “lambança legislativa”, evidenciando o racha interno e a falta de comando político. O governo acusou Derrite de negar diálogo; Derrite respondeu dizendo que nunca foi procurado — um retrato da confusão.
No centro da crise, o presidente da Câmara, Hugo Motta, demonstrou que a governabilidade de Lula depende cada vez menos do PT e cada vez mais do humor do Centrão. A disputa sobre a competência da Polícia Federal e o controle de recursos expôs a incapacidade do governo de liderar o tema da segurança pública, setor que há anos cobra decisões firmes e coordenação nacional.
Com a derrota consolidada, o PL agora segue para o Senado. O recado é claro: enquanto o governo insiste em discursos e perde articulações decisivas, Câmara e Centrão assumem o protagonismo. Já vimos isso antes, hein…



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