
O senador Jorge Seif (PL-SC) emprega como assessora parlamentar uma ex-diarista que, segundo sua própria equipe, jamais foi vista no gabinete em Brasília. A funcionária, Adna dos Anjos Cajueiro, recebe R$ 31 mil mensais e, mesmo assim, trabalha abertamente como comerciante em duas lojas de roupas no Distrito Federal. Ao longo de meses, foi informado reiteradamente de que ninguém conhecia a servidora.
Apesar de receber aumentos sucessivos desde 2023, Adna passou esse período dedicando-se à atividade comercial, com CNPJ recém-aberto e forte presença nas redes sociais divulgando produtos. A equipe de Seif, ao ser questionada, alegou que a assessora é dispensada do controle biométrico e realizaria “atividades externas”, mas não soube explicar onde ou como essas funções seriam cumpridas. O Senado negou acesso aos relatórios de frequência exigidos por lei, aumentando ainda mais as suspeitas.
Pressionado pela reportagem, Seif afirmou “desconhecer” que a servidora atuava no comércio e ameaçou exonerá-la caso não regularizasse a situação — embora ela esteja em seu gabinete desde quando ele comandava o Ministério da Pesca. A justificativa do senador, porém, contrasta com os indícios públicos e com registros que mostram participação ativa de Adna na administração das lojas, incluindo inauguração de filial na Black Friday.
Adna, por sua vez, afirma cumprir “missões externas” para o senador e diz que abriu o CNPJ apenas para ajudar familiares, negando envolvimento direto no negócio — apesar das inúmeras publicações promovendo os produtos.



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