
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta quarta-feira (8) a intenção de elevar a mistura de etanol na gasolina para 32% ainda no primeiro semestre, alegando reduzir a dependência externa de combustível em meio à alta dos preços internacionais provocada por conflitos no Oriente Médio.
Embora a medida possa beneficiar o setor sucroalcooleiro nacional e oferecer uma resposta rápida ao encarecimento da gasolina importada, que representa cerca de 15% do consumo brasileiro, ela soa mais como paliativo oportunista do que estratégia robusta de longo prazo: ignora potenciais impactos na eficiência dos motores, no consumo específico dos veículos e na durabilidade de componentes, sem que testes conclusivos tenham sido amplamente divulgados.
Em vez de priorizar investimentos em refino, diversificação energética ou infraestrutura para biocombustíveis de segunda geração, o governo recorre novamente ao etanol como muleta protecionista, transferindo custos indiretos ao consumidor e ampliando a vulnerabilidade do mercado a oscilações climáticas e de safra, sem resolver a raiz da dependência de derivados de petróleo.



0 comentários