
Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, identificaram uma nova cepa de coronavírus em morcegos que pode estar a um passo de atingir humanos. Batizada de HKU5-CoV-2, a variante pertence ao mesmo grupo do vírus MERS, responsável por surtos letais no Oriente Médio. O estudo, publicado na Nature Communications, aponta que o vírus já consegue se ligar com facilidade ao receptor celular ACE2 — a “porta de entrada” usada por outros coronavírus, como o causador da Covid-19.
O que mais preocupa os cientistas é que pequenas mutações genéticas podem permitir que o HKU5 passe a reconhecer e invadir células humanas, aumentando significativamente o risco de transmissão direta dos morcegos para pessoas. Diferente do SARS-CoV-2, que teria passado por um hospedeiro intermediário antes de infectar humanos, esta nova cepa pode pular diretamente de animais silvestres para populações urbanas — um cenário com potencial para desencadear uma nova crise sanitária.
Até agora, não foram registrados casos humanos, mas a proximidade entre as áreas habitadas por morcegos e centros urbanos levanta um sinal de alerta. Os especialistas recomendam reforçar o monitoramento de zoonoses e intensificar pesquisas em imunizantes que possam proteger contra múltiplas variantes de coronavírus, inclusive aquelas ainda restritas ao reino animal.
O estudo reforça a importância de estratégias preventivas baseadas na abordagem “Uma Só Saúde”, que integra ações conjuntas voltadas à saúde humana, animal e ambiental. A recomendação dos cientistas é clara: reduzir o contato com animais silvestres, como os morcegos, é fundamental para evitar que futuras mutações abram caminho para uma nova pandemia.



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