
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (13) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, com prejuízo estimado de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Entre os alvos estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira e o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG). A ação cumpre 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva em 15 estados e no Distrito Federal.
Alessandro Stefanutto foi preso preventivamente durante a operação. Ele havia sido demitido do INSS em abril, após o afastamento provocado pelas denúncias de fraudes, e prestou depoimento à CPI do INSS defendendo sua gestão. Segundo sua defesa, a prisão é “completamente ilegal”, pois Stefanutto vem colaborando com as investigações desde o início.
O ex-ministro Ahmed Mohamad Oliveira, que comandou a Previdência entre março de 2022 e janeiro de 2023, deverá usar tornozeleira eletrônica. Oliveira, antes conhecido como José Carlos Oliveira, negou envolvimento em fraudes e disse ter tomado conhecimento das irregularidades apenas após a primeira fase da operação em abril. Já o deputado Euclydes Pettersen Neto, eleito em 2018 e reeleito em 2022, é investigado por participação no esquema que envolvia descontos falsos em benefícios previdenciários.
O governo federal informou que continua a devolução dos valores indevidamente descontados a aposentados e pensionistas, com mais de 4,8 milhões de beneficiários aptos a receber os valores. Os segurados prejudicados têm até 14 de fevereiro de 2026 para contestar os descontos e solicitar a restituição. A Operação Sem Desconto apura crimes como estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e ocultação de bens.



0 comentários