
O Ministério Público de Santa Catarina instaurou um procedimento preparatório para apurar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Ulisses Gabriel, em razão de manifestações públicas relacionadas ao caso do cão comunitário Orelha. A apuração, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, tem como objetivo avaliar se há elementos para a abertura de um inquérito civil e eventual adoção de medidas judiciais.
Segundo o MP, estão sob análise possíveis indícios de abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e ato de improbidade administrativa. Entre os pontos levantados estão a eventual antecipação pública de atribuição de culpa antes da conclusão das investigações, o suposto vazamento de informações protegidas por sigilo e a divulgação de fatos sensíveis em razão do cargo ocupado. Também é apurada a hipótese de uso indevido de publicidade institucional para promoção pessoal em redes sociais.
O procedimento destaca o volume e o conteúdo das publicações feitas pelo delegado-geral desde que o caso ganhou repercussão, incluindo postagens frequentes sobre o andamento das apurações, participações em entrevistas, posicionamentos políticos e exposições pessoais relacionadas ao episódio. Para o Ministério Público, a forma e a recorrência dessas manifestações podem caracterizar irregularidades administrativas e legais, a depender do aprofundamento da análise.
Procurado, Ulisses Gabriel afirmou que não foi notificado oficialmente sobre a apuração e negou qualquer irregularidade, sustentando que não preside a investigação do caso. Paralelamente, o MP solicitou novas diligências no inquérito que apura a morte do cão Orelha, incluindo o reinterrogatório de testemunhas, enquanto o processo segue sob sigilo devido ao envolvimento indireto de adolescentes.



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