
A onda de calor que atingiu Santa Catarina nas últimas semanas trouxe um impacto alarmante na proliferação do mosquito Aedes aegypti e no número de casos de dengue. Com temperaturas ultrapassando os 40ºC e chuvas intensas, o ambiente se tornou ideal para a reprodução do transmissor da doença. Desde o início do ano, foram registrados 5.474 casos prováveis no Estado, sendo 814 confirmados e 12 com sinais de alarme.
O aumento mais expressivo ocorreu entre os dias 2 e 22 de fevereiro, período marcado por calor extremo. Na semana 6, os casos saltaram para 672, na semana 7 chegaram a 1.092, e na semana 8 atingiram 1.336. Esse crescimento acelerado reflete as condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito, segundo especialistas. Apesar do aumento recente, os números ainda estão abaixo dos registrados no mesmo período de 2024, quando Santa Catarina teve 26.265 casos prováveis.
A médica infectologista Carolina Cipriani Ponzi destaca que o calor e a umidade criam condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti, mas reforça que o fator determinante é a existência de criadouros. “A combinação de altas temperaturas com água parada favorece a proliferação do mosquito e, consequentemente, o aumento dos casos de dengue”, explica. Ela alerta que os casos atuais refletem infecções ocorridas na semana anterior, o que indica uma possível continuidade na escalada da doença.
Enquanto os números de dengue crescem, a vacinação contra a doença segue abaixo da meta. O melhor índice de cobertura vacinal em SC está na região Nordeste e Vale do Itapocu, com 44,78% de primeira dose aplicada e apenas 24,31% da segunda. A Grande Florianópolis, por exemplo, tem apenas 28,04% de cobertura da primeira dose e 12,74% da segunda. Para tentar ampliar a imunização, o Ministério da Saúde autorizou o uso de doses próximas do vencimento para novas faixas etárias, mas essa medida não se aplica a SC.
Diante do cenário preocupante e da previsão de mais dias de calor intenso, especialistas reforçam a importância da eliminação de focos do mosquito e da vacinação para conter a disseminação da doença. O combate à dengue depende do esforço coletivo da população para evitar o acúmulo de água parada e garantir que os índices de infecção não continuem subindo nas próximas semanas.
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