
O prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), afirmou em uma ligação que recebeu informações privilegiadas de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre uma operação da Polícia Federal. O conteúdo do áudio, agora incluído nos autos de uma investigação sobre venda de sentenças, indica que o ministro João Otávio de Noronha teria alertado o político antes da deflagração da Operação Maet, em 2010. O ministro, no entanto, nega qualquer envolvimento e diz não ter qualquer relação com os envolvidos.
A gravação foi localizada no celular do advogado Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador de Tocantins, preso pela PF em maio. Nas conversas, Eduardo relata que, na época, Noronha teria o chamado em Brasília para avisar sobre o afastamento de quatro desembargadores. Curiosamente, o próprio Noronha era o relator da operação na ocasião e hoje também conduz outra investigação contra o Tribunal de Justiça do Tocantins.
As investigações apontam que Thiago repassou informações confidenciais sobre novas operações da PF ao desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, investigado por venda de decisões judiciais. A descoberta levou a PF a deflagrar a 9ª fase da Operação Sisamnes, que apreendeu o celular do prefeito de Palmas e revelou que ele teria uma fonte dentro do STJ, supostamente paga para vazar informações sensíveis sobre os processos.
Apesar de negar qualquer relação com vazamentos, os áudios encontrados mostram Eduardo Siqueira comentando que “dois juízes e pelo menos três advogados vão dançar”. A Operação Sisamnes investiga não só a venda de sentenças, como também um esquema de espionagem ilegal e até homicídios por encomenda. Planilhas encontradas pela PF listavam preços para monitoramento de ministros como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, além de outras autoridades.



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