
O governo do Rio de Janeiro prepara um plano ousado para retomar territórios dominados por facções criminosas e deve solicitar ao governo Lula a autorização para o uso das Forças Armadas por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A proposta será enviada ao Supremo Tribunal Federal até 15 de outubro como parte do cumprimento da decisão da Corte na ADPF das Favelas, que exige um plano de reocupação dos territórios controlados pelo crime. A expectativa é que as primeiras operações, com apoio do Exército e da Polícia Federal, ocorram ainda em 2025.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do estado, Victor dos Santos, as ações começarão em comunidades de “baixa criticidade”, como Cidade de Deus, Vila Kennedy, Mangueirinha, entre outras. Nesses locais, o uso de blindados do Exército será fundamental para atravessar barricadas e enfrentar o arsenal pesado das facções. O foco, segundo ele, é devolver o território à população de bem, integrando forças federais e estaduais em ações coordenadas.
O plano prevê não apenas intervenção armada, mas uma presença mais ampla do Estado, com investimentos sociais e econômicos. O secretário destaca que as facções controlam serviços como internet, gás e energia, e que a retomada deve incluir ações que quebrem esse ciclo de exploração econômica das comunidades. O documento final do projeto contará com metas, cronograma e indicadores para garantir o acompanhamento dos resultados.
Mesmo diante das diferenças políticas entre o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente Lula (PT), o governo fluminense garante que o projeto será construído de forma técnica e suprapartidária. A ideia é firmar um “pacto pela ordem” entre União, estado e municípios, para libertar as favelas do controle criminoso e garantir dignidade aos moradores, longe das disputas eleitorais e com apoio institucional das principais forças de segurança do país.



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