
Com índices de desaprovação chegando a 57%, o governo Lula enfrenta sua pior fase desde o início do mandato. Mesmo com a ligeira estabilidade nas últimas pesquisas, a queda na popularidade é reflexo direto de escândalos como a crise dos descontos indevidos no INSS, a má gestão na mudança do IOF e o impacto contínuo de decisões mal recebidas pelo mercado e pela população. A tentativa do governo de justificar a situação usando fatores como a alta do dólar e o preço dos alimentos revela despreparo para lidar com a pressão pública.
Em vez de apresentar soluções estruturais, o Planalto aposta na velha estratégia de aumentar a exposição midiática do presidente. Mais entrevistas, presença em eventos e anúncios nas redes sociais são vistos como soluções para esconder a percepção negativa sobre a gestão. A própria base governista reconhece que o problema vai além da comunicação: há uma crise de credibilidade diante da população, agravada por promessas não cumpridas e tentativas frustradas de ajuste fiscal.
A insistência em vender avanços pontuais na economia como grandes vitórias soa artificial. A leve queda no preço de alimentos básicos, como tomate e arroz, e a criação de empregos no primeiro trimestre não têm sido suficientes para reverter a insatisfação de grande parte da população, que sente no bolso os efeitos de um país ainda estagnado economicamente. A percepção de piora na economia, embora tenha recuado levemente, ainda é elevada.
Ao anunciar nova linha de crédito para reforma de casas como forma de “aliviar” a situação, o governo parece recorrer a medidas paliativas, sem enfrentar os reais gargalos econômicos e sociais. A estratégia de “maquiar” a gestão com ações de impacto imediato pode funcionar no marketing, mas não resolve a sensação de abandono de trabalhadores e classes populares. Sem uma guinada real na política econômica e na transparência das decisões, o desgaste tende a se aprofundar.



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