
Doze ministros do governo Lula, todos com mais de 60 anos, estão com a vacinação contra a Covid-19 incompleta, descumprindo a orientação do próprio Ministério da Saúde. A diretriz oficial recomenda uma dose de reforço a cada seis meses para essa faixa etária. Entre os que não seguiram a recomendação está o vice-presidente Geraldo Alckmin, que, apesar de ser médico, não tomou nenhum dos dois reforços em 2024. A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, também estava em situação irregular antes de ser demitida nesta terça-feira (25).
A lista inclui nomes como José Múcio (Defesa), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Marina Silva (Meio Ambiente). Alguns ministros, como Márcio França (Empreendedorismo) e Margareth Menezes (Cultura), alegaram compromisso com a vacinação, mas não apresentaram registros das doses recomendadas. Outros, como Fernando Haddad (Fazenda) e Cida Gonçalves (Mulheres), não tomaram reforços nos últimos dois anos. Apenas três dos 19 ministros com mais de 60 anos estão com o esquema vacinal atualizado.
A solicitação dos cartões de vacina foi feita por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Alguns ministérios divulgaram os registros, enquanto outros, como o de Ricardo Lewandowski, inicialmente impuseram sigilo de 100 anos sobre o documento, mas depois voltaram atrás. Rui Costa (Casa Civil) não liberou sua caderneta, mas informou ter tomado quatro doses, o que indica que pode estar com reforços pendentes.
A falta de reforços é preocupante, já que idosos são mais vulneráveis à Covid-19 devido à imunossenescência – o enfraquecimento do sistema imunológico com a idade. Em dezembro, o governo incluiu idosos e gestantes no Calendário Nacional de Vacinação contra a doença, tornando obrigatória a imunização anual desses grupos. No entanto, os próprios membros do alto escalão do governo não seguiram essa diretriz.
Apenas Carlos Lupi (Previdência Social), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) tomaram todas as doses recomendadas. A falta de adesão de boa parte dos ministros contrasta com os discursos oficiais de incentivo à vacinação e levanta questionamentos sobre a coerência do governo em relação à política de saúde pública.
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